Fórum começa a construir futuro sustentável da Amazônia

O dia 24 de julho de 2008 será lembrado como mais um marco na construção do futuro sustentável para a maior floresta do planeta. Nesse dia, a Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM) e o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social lançaram em Manaus o Fórum Amazônia Sustentável.

Por trás da criação do Fórum está a necessidade de mobilizar empresas, organizações não-governamentais (ONGs) e governos para construir esse futuro, de acordo com o presidente do Instituto Ethos, Ricardo Young. "Com a Amazônia é preciso evitar o que se fez com a Mata Atlântica: primeiro se destrói para depois buscar a regeneração por meio de um esforço brutal. É necessário que se encontre um outro destino para a Amazônia, que esteja em sintonia com o desenvolvimento sustentável", disse.

Segundo Young, é absolutamente necessário que as empresas comecem a investir em produtos sustentáveis, dentro de uma nova concepção de produção, consumo e de reutilização de insumos e recursos ambientais.

De acordo com ele, o meio ambiente é um fator óbvio da Responsabilidade Social, não se tratando apenas da escassez dos recursos naturais, mas das empresas contribuírem para recompor aquilo que foi degradado. "As empresas, pela sua tecnologia e capacidade de investimento, têm condições de contribuir para regeneração do meio ambiente e não só para uma utilização racional dos recursos naturais", afirma.

O Fórum Amazônia Sustentável foi criado em novembro de 2007, em Belém do Pará, a partir da idéia de que o desenvolvimento da Amazônia depende do ordenamento territorial, o que garante os direitos coletivos de seus povos indígenas, comunidades quilombolas, populações tradicionais e ribeirinhas e que cada grupo social nele se reconheça.

Participaram da rodada de debate sobre as questões amazônicas o presidente do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), Rubens Gomes, o vice-presidente do Conselho Nacional de Seringueiros (CNS), Júlio Barbosa, a coordenadora do Programa Brasil Socioambiental do Instituto Socioambiental (ISA), Adriana Ramos, o pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Beto Veríssimo, e o representante da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Jecinaldo Cabral.

Mil Madeireira doa terras para comunidades de Silves

Durante o Fórum foi firmada uma parceria intersetorial entre o Governo do Estado do Amazonas, a empresa Mil Madeireira Itacoatiara Ltda e seis comunidades localizadas no rio Anebá, para regularização fundiária em Silves, a 200 quilômetros de Manaus.

Foram beneficiadas 142 famílias moradoras das comunidades Livramento do Anebá, Santana, São Sebastião, São Geraldo, São José do Carú e Jesus é a Única Esperança, localizadas em propriedades da Mil Madeireira. A meta é que até o final do próximo ano, mais 230 famílias que vivem no entorno da empresa também recebam os títulos definitivos de propriedade da terra.

A Mil Madeireira é uma das signatárias do Fórum e foi a primeira empresa do Amazonas a receber o selo Forest Stewardship Council (FSC) - Conselho Mundial de Florestas.

O diretor-presidente da empresa, Christian Marzari, disse que a empresa é a primeira do Amazonas a praticar o manejo florestal de baixo impacto no Amazonas. "Optamos por um modelo de Responsabilidade Social onde todos os atores estão sendo envolvidos para solucionar os problemas ambientais".

"Estamos muito felizes em contribuir com uma parte da sustentabilidade, em parceria com o Governo e as comunidades", afirmou o presidente.

O agricultor José Alves de Castro, representante da comunidade do Livramento, disse que a concessão de títulos para os agricultores foi uma vitória. "Agora sim, vai ser realizado o sonho dos comunitários e teremos como sustentar as nossas famílias".

Segundo o presidente do Instituto de Terras no Amazonas (Iteam), Sebastião Nunes, a regularização de terras é passo importante para a democracia, onde o Governo do Estado e iniciativa privada se unem para o bem de todos. "A Mil é uma empresa que se adaptou à legislação ambiental", disse.

O secretário de Estado de Articulações de Políticas Públicas aos Movimentos Sociais e Populares (Searp), Joaquim Lopes Frazão, disse que outras empresas devem seguir o exemplo da Mil Madereira. "Essa iniciativa vai proporcionar para as famílias beneficiadas com as terras, a oportunidade de uma vida saudável".

Instituto Ethos mostra avanços na responsabilidade social

O lançamento do Fórum Amazônia Sustentável, no final de julho, em Manaus, fez parte da programação de 10 anos de fundação do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, desenvolvida em conjunto com a FIEAM e o CIEAM, nos dias 23 e 24 de julho, no Auditório Gilberto Mendes de Azevedo, na sede do Serviço Social da Indústria (SESI).

No dia 23, o presidente do Ethos, Ricardo Young, apresentou aos colaboradores de instituições governamentais, não-governamentais e privadas que atuam no Amazonas os principais avanços e iniciativas do instituto diante da missão de mobilizar, sensibilizar e ajudar as empresas a gerir seus negócios de forma socialmente responsável. A intenção da programação era mostrar os bons resultados do movimento pela disseminação da responsabilidade social empresarial promovida numa escala crescente pelos parceiros e empresas associadas da organização.

Para o vice-presidente da FIEAM, Wilson Périco, é importante a integração de todos na iniciativa de preservar o meio ambiente e estabelecer padrões éticos de relacionamento para que se construa uma sociedade brasileira mais justa e sustentável. Périco destacou que a indústria amazonense é um modelo de administração coletiva do empresariado do Pólo Industrial de Manaus (PIM) que se preocupa com as mudanças climáticas ocasionadas pela devastação desenfreada dos recursos naturais.

"Graças ao PIM conseguimos preservar 98% da cobertura florestal do Amazonas. Isso representa um modelo de sucesso envolvendo programas de responsabilidade sócio-ambiental com o objetivo de resguarda a floresta amazônica para a sobrevivência do homem e do planeta", enfatizou o vice-presidente da FIEAM.

Amazonas deve ser marketing internacional em RSE

Segundo Ricardo Young, ações de RSE devem ser inseridas nas gestões empresariais, tornando-se uma de suas ferramentas e estabelecendo metas para incentivar a cultura socialmente responsável entre os funcionários, a diretoria da empresa, a sociedade e o governo. Para o presidente do Ethos, o momento da Amazônia é de fazer uma opção estratégica na direção da preservação do meio ambiente, pois é uma região de relevante valor na discussão da economia sustentável.

Durante a programação foi desenvolvida uma rodada de discussão em grupo, refletindo sobre propostas para o mercado socialmente responsável. As melhores idéias sobre sustentabilidade na Amazônia, promoção da integridade e combate à corrupção, agenda do trabalho docente, desenvolvimento de RSE e sustentabilidade na cadeia de valor e cidades sustentáveis serão divulgadas em Fóruns e publicadas num livro no final do ano.

Antes de encerrar as atividades dos 10 anos do Instituto Ethos, o vice-presidente da FIEAM, Wilson Périco, manifestou o posicionamento da entidade em fazer parte da organização, colaborando com a troca de experiências sobre responsabilidade social empresarial já implantada no PIM, além de se comprometer em ampliar o movimento de RSE para tornar a Amazônia sustentável.